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Perseverança

23 jan

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sf (lat perseverantia) Qualidade de quem persevera; constância, firmeza, pertinácia. Antôn: inconstância. (www.michaelis.uol.com.br)

Apesar de muitas vezes não parecer, perseverança é uma palavra forte. Para mim, ela soa forte. É uma forma de esperança, mas não a de quem espera de braços cruzados; se possível, sentado. É o equilíbrio perfeito entre fé e ação.

Eu sou uma sonhadora. Não no sentido pejorativo da expressão, eu sou uma pessoa que sonha com um futuro de realizações. Realizações, estas, possíveis de serem alcançadas, mas que exigem certo esforço. É por isso que, quando me perguntam a quantas andam meus projetos, eu logo digo que estou sendo perseverante.

Um desses projetos, quem me conhece já sabe, é terminar de escrever e publicar meu livro de aventura infanto-juvenil. Ao ouvir isso, alguns abrem logo um sorriso e me perguntam quando vou publicá-lo. Outros quebram o contato visual e dizem que escrever um livro é uma tarefa muito difícil, e que dificilmente fica bom.

Aos que acreditam em mim, muito obrigada. Infelizmente, não sei quando nem se ele será publicado. É claro que quem escreve um livro pretende publicá-lo, mas isso é uma questão que não depende só de mim. A boa notícia é que deve ficar pronto por Julho! Quanto aos que duvidam, peço humildemente que reconsiderem. Minha perseverança inclui trabalho duro, ler, perquisar, fazer, refazer e “trefazer”. Por mais que todos concordem que é um feito difícil, quem é sábio o suficiente para me julgar incapaz? Na minha opinião – e dificilmente ela será mudada – todo trabalho feito com o coração é um trabalho bem feito. E, se mesmo assim por algum motivo não dê certo, a experiência não é prêmio de consolação, é um prêmio real. Afinal, a prática sempre leva à perfeição ao aprimoramento.

Eu sou uma sonhadora, mas sou uma sonhadora com o pé no chão: não espero enriquecer vendendo livros. Além disso, sei que raramente o primeiro livro que uma pessoa escreve fica realmente bom, mas, acreditem no que digo, a lógica não permite que se escreva o segundo sem escrever o primeiro, e ela não abre exceções. Além disso, mesmo que o resultado do meu trabalho seja um livro ruim, ele será o meu livro, e essa é uma grande realização, por si só.

Não por estes motivos, mas por fatores inerentes meus, além da continuação do primeiro livro, eu já tenho a ideia quase pronta de mais duas histórias diferentes, volumes únicos. Escrever leva tempo, por isso as ideias estão na gaveta, mas não pretendo que fiquem lá por muito tempo. Até o final do ano – depois que eu terminar este primeiro livro e tiver entregado meu artigo para concluir a pós-graduação – espero começar a escrever.

Por hora, continuo o que estou fazendo. Passei dez agradáveis dias na praia, onde pude adiantar um pouco a história atual. Escrevi, inclusive, um capítulo recheado de cenas de ação, que ficou muito melhor do que imaginei que ficaria. Surpreendi a mim mesma! Não existe satisfação melhor – e mais difícil de alcançar – do que essa.

Pra isso servem os irmãos!

1 jan

Quando eu era pequena, nós morávamos longe da cidade e meus pais chamaram uma empresa para cavar um poço artesiano na nossa casa. Todo dia a máquina tirava do buraco uma terra argilosa, depositando-a ao lado. Em pouco tempo, ali tinha uma montanha de argila.

Naquela época eu gostava de subir em cima da casa, que tinha telha de barro, e da lavanderia, que era de eternit. Certa vez, eu estava em cima da lavanderia, quando meu irmão atirou em mim uma generosa bola de lama. Eu esquivei e ele logo mandou outra. Foi bem divertido ficar fugindo das consecutivas bolas de lama, até que pisei de mal jeito e a telha quebrou. Me estatelei no chão, lá embaixo!

Foi uma choradeira, mas, por sorte, não me machuquei. Meu irmão falou pra eu correr e me esconder dentro de um anel de poço (pra quem não sabe, é isso aqui: link, tem 1,20 de diâmetro), e enquanto isso ele escondeu as telhas quebradas. Será que a gente pensou que nossa mãe não ia perceber o ROMBO no telhado da lavanderia??

Não sei porque, mas naquele dia não apanhamos. Nem tomamos bronca, nem nada. Acho que a queda já tinha sido uma punição suficiente pra ficar pulando em cima de telhado! Garanto que eu nunca mais fiz isso.

Sentido Literário

5 set

Olá! Sei que prometi falar sobre minhas viagens, mas antes quero contar uma novidade!

Esses dias, alguns amigos tiveram a ideia de criar um pequeno grupo de escritores (profissionais e amadores), que se reuniria todo domingo para fazer alguma atividade relacionada à escrita. Assim, ao mesmo tempo que nos divertiríamos juntos, quebraríamos a cabeça para desenvolver nossa criatividade.

Demos ao grupo o nome de “Sentido Literário”, e ele está sendo um sucesso! No primeiro encontro, escrevemos três contos colaborativos, e hoje tivemos nosso segundo encontro, no qual criamos seis tirinhas. São apenas exercícios, mas o resultado tem sido bem interessante!

Para conhecer nosso grupo e ler o que já escrevemos, visite o blog: www.sentidoliterario.wordpress.com.

Conto: Fobia

23 out

FOBIA

(Autora: Karen I. Soares)

Andava pela rua deserta e úmida. Era noite sem lua e já passava da hora de estar em casa. De acordo com o movimento de meus braços, ouvia o som da capa de chuva ainda molhada esfregando em si mesma.

Na escuridão, tudo o que se podia ver eram, sobre as superfícies, o reflexo da luz longínqua de um poste. Caminhei lentamente pelo chão escorregadio de uma calçada, enquanto ouvia nada, além do som da capa de chuva.

O cheiro de terra molhada não servia de consolo em meio à sensação caótica que a rua deserta proporcionava. O silêncio mortal não significava solidão, mas sim o prelúdio de uma companhia aterradora. Sábado de madrugada. Além de mim, quem mais andaria sóbrio pela rua?

De repente, senti um movimento vindo de trás. Terá sido só impressão? Ou será que vem alguém? Pensei. Quem seria? Devo olhar e descobrir logo quem é? Ou será melhor continuar andando e fingir que não notei?

Uma sirene de ambulância irrompeu de algum lugar longínquo. O movimento às minhas costas persistia. O som diminuiu à medida que a ambulância se distanciou, até que desapareceu, deixando apenas o eco em minha mente. Comecei a pensar se teria que lutar por minha vida, enquanto o movimento teimava em me seguir. Seria mais inteligente eu simplesmente correr? Com esforço, tomei uma decisão e, repentinamente, me virei para encarar meu perseguidor.

Ninguém.

Um vento frio passou pelo meu pescoço, gelando a alma. Retomei meu caminho, com passos mais rápidos. O tempo voltava a fechar.

À medida que caminhava, percebi que não estava só. Sobre um muro à minha direita, um par de olhos felinos me observava. Negro como a noite, o gato estava imóvel como uma estátua, com exceção de seus olhos dourados, que me seguiam. Quando me aproximei, sem emitir um som sequer, ele deu as costas e desapareceu, misturando-se com a noite.

Segui meu caminho. Discretamente, coloquei a mão no bolso e apertei o controle do carro. Entrei e tranquei a porta. Um raio rasgou o céu à minha frente, seguido de um trovão. Dei partida e pus o carro em movimento.

O limpador de pára-brisa varria a paisagem à minha frente enquanto a chuva caía. Pelo retrovisor, eu via a escuridão sendo deixada para trás.

Peguei a via expressa. Para minha surpresa, ela estava deserta. Postes passavam por mim. Luz, trevas, luz, trevas, luz, trevas. Contava os minutos para chegar.

Não há nada no banco traseiro, pensei. Nenhum livro, nenhum casaco, nada. O som da chuva forte começava a me confundir. Não havia nada no banco traseiro quando entrei no carro, eu conferi. Será que conferi?

Olhei para frente, tentando manter a atenção na rua. Uma sombra passou pelo retrovisor. Num piscar, meus olhos foram guiados para ele, mas não havia nada. Nada além do banco traseiro. Não há ninguém no banco traseiro. Ninguém no meu campo de visão.

Estava na quinta marcha. Quais são as chances de aquaplanagem? Diminui a velocidade. Torci para que não houvesse ninguém no banco de trás.

Saí da via expressa. O bairro estava sombrio, mas eu não estava mais a pé. Passei por uma grande poça, espirrando litros de água para todos os lados. Quando cheguei, o portão já estava aberto. Senti um calafrio. Será que apertei o controle uma quadra antes? Ou será que esqueci aberto? Terá entrado alguém? Devo chamar a polícia?

Com o carro estacionado, inspecionei o banco traseiro. Não havia nada. Saí do carro e tranquei. Respirei fundo. Abri a porta de casa. Nheeeec. O interior estava tão escuro quanto o exterior. Apesar disso, não liguei a luz. Não queria que percebessem minha chegada.

Atravessei a porta. Antes de fechar, procurei alguém escondido atrás dela. Ninguém. Lentamente, tirei a capa de chuva, deixando-a cair no chão. A chuva caía violentamente lá fora. Dentro, apenas o som do silêncio.

Percebi que estava com fome. Mas a cozinha era longe demais, perigosa. Decidi subir as escadas, na ponta dos pés. Um degrau, dois degraus. Se o invasor estiver armado, este é o momento de disparar. Oito degraus, nove degraus. Comecei a sentir uma ponta de esperança quando me aproximava do topo da escada. Dezessete degraus. Fim. Estou no segundo andar, pensei. Alguns passos até a porta do quarto. Momento crucial. Se algo der errado agora, terá sido tudo em vão.

Levemente, toquei a maçaneta. Girei-a. Abri a porta. O interior estava escuro, a chuva açoitava a janela. Mais uma vez, inspecionei atrás da porta. Nada. Entrei e fechei-a, ainda no escuro. Silenciosamente, girei a chave da porta. Acendi a luz. Olhei para os lados e percebi que o quarto estava vazio.

Uma sensação de liberdade invadiu meu peito quando me deixei desmoronar em cima da cama.

*

Agora que você terminou de ler, me diga:
O que você entendeu deste meu conto? Que fobia a pessoa tem?

Conto: Angélica

8 dez

ANGÉLICA

(Karen I. Soares)

Parte 1

Ela passou por mim, e eu quis saber quem era. Quem era a responsável por aquele instante infinito, aquela palpitação inesperada. Era um andar de mulher com a leveza de uma criança. Devia ser esperta, decidida, pequena e leve. Seu ritmo expressava preocupação. Seu movimento gerou uma leve brisa, que trouxe um perfume fresco e energizante.

Passou por mim como um furacão, levando embora tudo o que eu pensava, sentia, sonhava. Ficou apenas a lembrança. Esperança, dúvida, ansiedade, silêncio. E eu apenas queria saber: Quem era?

– A Angélica? Ela não é lá aquelas coisas…

Apesar da resposta rude do meu colega, não desanimei. O que importava para ele certamente não importava para mim. Eu queria saber mais sobre a autora daqueles passos firmes e delicados. Élficos. Enigmáticos.

Angélica…

***

Parte 2

Passei a prestar atenção nela. Eu sempre sabia quando ela ia entrar na sala, muito antes dos demais. Podia ouvir seus passos no corredor. Mesmo que estivessem misturados aos passos de uma multidão, eu os reconhecia. Ela podia estar calma, alegre, nervosa ou apressada, não importava. Nem sua emoção conseguia disfarçar seus passos de mim.

Me aproximei aos poucos. No início tive que encarar o silêncio absoluto de quem se sente incomodado, mas com o tempo conquistei sua confiança.

E esperei o momento certo.

Esperei.

Esperei a hora perfeita.

A hora perfeita para colocá-la contra a parede, e dizer-lhe tudo o que eu queria, do jeito que eu queria e nas condições que eu queria. Não disse tudo o que eu sentia, certamente, pois iria assustá-la, mas disse tudo o que eu queria.

Então senti o ruborizar da pele quente de seu rosto. Apesar de não tocá-lo, eu podia sentir. Seu coração batia acelerado, e eu não precisava vê-la para saber para onde ela olhava. Olhava diretamente nos meus olhos, apesar de estar tímida. A reação que eu pedia.

Era uma mistura de medo, timidez e ansiedade em experimentar algo novo. E eu não hesitei. Fiz o que tinha de fazer. Toquei seus lábios com os meus, pela primeira vez.

***

Parte 3

O tempo passou, e ela permitiu que eu me aproximasse ainda mais. Após um lento início, ela abriu seu coração, e passou a depender de mim, e eu dela.

Ela não sabia, mas eu sabia me virar sozinho. Mas jamais diria isso a ela. Gostava que ela me ajudasse em tudo o que eu fazia. Sempre prestativa e proativa, orgulhava-se disso.

E o tempo passou.

E passou mais um pouco.

Nossas vidas seguiam um rumo único, e éramos felizes. Ela se tornou uma grande mulher, como tinha de ser. Eu fiz o que era possível para acompanhá-la em cada passo, e ela valorizava isso.

Até que cheguei ao ponto mais marcante de minha vida. Aquele que mudaria tudo. Aquele que me fez dividir minha vida em antes e depois. Havia muito tempo que eu não pensava nessa possibilidade, e quando ela bateu à minha porta, me senti ansioso e indefeso.

Mas ela estava lá, minha amada Angélica. Pronta para ser útil, pronta para me ajudar em tudo o que eu precisasse. Mais uma vez senti, com emoção, seus passos ao meu lado. Sempre contraditórios, eles se dividiam em decididos e vacilantes. Mas ela segurava minha mão, como se tentasse me passar toda a coragem de que dispunha, enquanto minha maca era guiada por mãos e passos mecânicos e sem emoção alguma.

Até que uma porta nos separou, e em seguida adormeci.

.

 

Sono sem sonhos. Foi como se eu tivesse apenas mudado o canal da TV. Após um segundo de silêncio, já havia me teleportado para um canal completamente diferente. Estava novamente na cama. Inconscientemente mexi os dedos, e foi suficiente para ouvir ao meu lado um pulo de alegria. Era ela. Eu não sabia há quanto tempo me esperava, mas não ousei perguntar.

Desenrolei a venda. E tive a experiência mais extraordinária de toda minha vida. Olhei em volta, para aquele ambiente claro. Olhei para ela. Angélica. Pessoa maravilhosa, companheira para todos os momentos. Agora eu sabia: Ela era também a mulher mais linda, maravilhosa, perfeita… que eu já tinha visto em toda a minha vida.

E com certeza eu jamais veria cena mais emocionante, mais bonita, do que aquela sua expressão que misturava alegria e preocupação, e seus olhos azuis fixos nos meus.

Nos abraçamos forte, e choramos lágrimas confusas. Lágrimas de alívio, alegria, emoção.

Mas sobretudo, lágrimas de amor.

*

Agora que você terminou de ler, me diga:
O que você entendeu deste meu conto?

O trabalho enobrece o homem.

7 nov

Minha vó sempre dizia isso!!!

Bom, hoje vou postar aqui algumas das coisas que eu fiz nessa minha primeira-e-meia semana no Sebrae. Em primeiro lugar, me mandaram atualizar o Radar Sebrae, que é o mural de novidades da empresa. Não estou com tudo aqui, mas essas foram as primeiras coisas que eu fiz:

E fiz também um convite pra um evento:

É isso. Seguda-feira eu vou pegar as outras coisas que eu fiz.
Agora estou meio desanimada devido a uma gripe ducaramba, e ainda tive que fazer um trabalho de marketing e um discurso em inglês… vou dormir! Fui :*

Conto aleatório

17 out

Por que estou escrevendo isso aqui? Não sei. Talvez para não esquecer. Vai que isso me é útil algum dia…

De qualquer forma, o que vou começar a escrever por aqui são histórias aleatórias que surgem do nada na minha cabeça.

Lá vai!

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– Por que tá me olhando desse jeito? Você sabe que eu gosto de você há muito tempo. – disse Kaio, chegando mais perto de Laís. Esta se distanciou ainda mais, espremendo-se contra a parede. Já não tinha mais para onde fugir. – Eu gosto é de você. – repetiu, se aproximando cada vez mais. Os olhos já semicerrados, os lábios quase tocando nos dela.

Quando de repente, ela o empurrou para trás com violência.

– Você acaba – berrou Laís, se distanciando da parede, na direção de Kaio, apontando o dedo na cara do rapaz. – de perder todo o meu respeito! – virou-se para a direita e deu alguns passos, deixando Kaio para trás.

E, fugindo daquela situação constrangedora, parou a poucos centímetros de esbarrar em Eduardo. Foi um leve susto quando seus olhares se cruzaram, e a menina sentiu sua face se avermelhar.

Paf! Laís ouviu um barulho às suas costas. Virou-se na direção de Kaio, e percebeu que ele não estava mais sozinho. Acabara de chegar a última pessoa que Laís queria ver nesse momento: Bianca. E o fato de Bianca ter acabado de dar um tapa no rosto de Kaio significava que ela já estava assistindo a cena há alguns minutos.

– Nunca mais olhe na minha cara! – berrou Bianca, aos prantos. Mas Kaio não parecia muito preocupado.

Inconformada, Bianca virou na direção de Laís, lançando-lhe um olhar furioso, ainda com lágrimas escorrendo de seus olhos.

– Bianca… – foi a única palavra que Laís pôde dizer, com a voz falhando, antes de Bianca virar o rosto com violência, e sair dali batendo os pés. “Eu a odeio”, pensou. Mas logo seu pensamento mudou. “Não… eu não a odeio… eu queria SER ela”. E correu, sem rumo, enquanto chorava desesperadamente.