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Sentido Literário

5 set

Olá! Sei que prometi falar sobre minhas viagens, mas antes quero contar uma novidade!

Esses dias, alguns amigos tiveram a ideia de criar um pequeno grupo de escritores (profissionais e amadores), que se reuniria todo domingo para fazer alguma atividade relacionada à escrita. Assim, ao mesmo tempo que nos divertiríamos juntos, quebraríamos a cabeça para desenvolver nossa criatividade.

Demos ao grupo o nome de “Sentido Literário”, e ele está sendo um sucesso! No primeiro encontro, escrevemos três contos colaborativos, e hoje tivemos nosso segundo encontro, no qual criamos seis tirinhas. São apenas exercícios, mas o resultado tem sido bem interessante!

Para conhecer nosso grupo e ler o que já escrevemos, visite o blog: www.sentidoliterario.wordpress.com.

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Crônica: Torrente

11 mar

TORRENTE

(Autora: Karen I. Soares)

Cenário de guerra. É assim que os jornais descrevem nossa cidade. Muros caídos, casas arrasadas, pontes em ruínas. À minha direita, uma árvore na posição horizontal exibe suas raízes recém-arrancadas da terra pela chuva violenta. O córrego corre furioso. Suas águas, muito mais altas do que de costume, exibem coloração marrom e retratam os desastres da noite anterior. Pedaços de lixo flutuante são arrastados ao bel-prazer da correnteza, e logo somem de vista.

O trânsito é caos, sempre é. Semáforos não funcionam e leis não mais existem. Um carro desvia de um buraco e cai numa poça, jorrando água para o alto e encharcando um pedestre, mas não se importa. Todos estão confusos, preocupados. Tentam garantir a segurança de sua família e bens, as suas coisas.

Mas eis que, no meio do caos, heróis surgem. Ouve-se o assovio de um apito, e todos os carros param. É um agente de trânsito. Um ser humano como você e como eu, cuja função é cuidar da segurança de todos, e todos respeitam esta função e obedecem às suas ordens. Ao som do apito, motoristas param e prosseguem, e o trânsito torna-se harmonioso. Jamais se inventará um semáforo automático tão bom quanto um ser humano.

Em uma região menos flagelada da cidade, o sinal vermelho impede que alguns carros se movimentem, enquanto outros cruzam seu caminho. Novamente, um som deixa todos em alerta, é o som de uma sirene. Os motoristas ouvem, param, identificam de que direção a ambulância vem e tomam providências.

Aqueles que estão cruzando ignoram o sinal verde e se atêm de prosseguir. Aqueles que estão parados, ignoram o sinal vermelho e cruzam, afastando-se para a lateral da rua, a fim de abrir passagem. Alguém pode estar morrendo naquela ambulância, não podemos atrapalhar!

Em meio à desorganização, instintivamente as pessoas se organizam e confiam naqueles que não querem nada senão ajudar. Mesmo em meio ao caos, à destruição e às dificuldades, a ajuda surge e as pessoas colaboram. Isso faz eu me lembrar que, apesar de tudo, ainda vivemos em sociedade, e que, amanhã, o Sol vai raiar.

Clique aqui para ler a notícia: Campo Grande (MS) decreta
estado de emergência por causa das chuvas

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Conto: Fobia

23 out

FOBIA

(Autora: Karen I. Soares)

Andava pela rua deserta e úmida. Era noite sem lua e já passava da hora de estar em casa. De acordo com o movimento de meus braços, ouvia o som da capa de chuva ainda molhada esfregando em si mesma.

Na escuridão, tudo o que se podia ver eram, sobre as superfícies, o reflexo da luz longínqua de um poste. Caminhei lentamente pelo chão escorregadio de uma calçada, enquanto ouvia nada, além do som da capa de chuva.

O cheiro de terra molhada não servia de consolo em meio à sensação caótica que a rua deserta proporcionava. O silêncio mortal não significava solidão, mas sim o prelúdio de uma companhia aterradora. Sábado de madrugada. Além de mim, quem mais andaria sóbrio pela rua?

De repente, senti um movimento vindo de trás. Terá sido só impressão? Ou será que vem alguém? Pensei. Quem seria? Devo olhar e descobrir logo quem é? Ou será melhor continuar andando e fingir que não notei?

Uma sirene de ambulância irrompeu de algum lugar longínquo. O movimento às minhas costas persistia. O som diminuiu à medida que a ambulância se distanciou, até que desapareceu, deixando apenas o eco em minha mente. Comecei a pensar se teria que lutar por minha vida, enquanto o movimento teimava em me seguir. Seria mais inteligente eu simplesmente correr? Com esforço, tomei uma decisão e, repentinamente, me virei para encarar meu perseguidor.

Ninguém.

Um vento frio passou pelo meu pescoço, gelando a alma. Retomei meu caminho, com passos mais rápidos. O tempo voltava a fechar.

À medida que caminhava, percebi que não estava só. Sobre um muro à minha direita, um par de olhos felinos me observava. Negro como a noite, o gato estava imóvel como uma estátua, com exceção de seus olhos dourados, que me seguiam. Quando me aproximei, sem emitir um som sequer, ele deu as costas e desapareceu, misturando-se com a noite.

Segui meu caminho. Discretamente, coloquei a mão no bolso e apertei o controle do carro. Entrei e tranquei a porta. Um raio rasgou o céu à minha frente, seguido de um trovão. Dei partida e pus o carro em movimento.

O limpador de pára-brisa varria a paisagem à minha frente enquanto a chuva caía. Pelo retrovisor, eu via a escuridão sendo deixada para trás.

Peguei a via expressa. Para minha surpresa, ela estava deserta. Postes passavam por mim. Luz, trevas, luz, trevas, luz, trevas. Contava os minutos para chegar.

Não há nada no banco traseiro, pensei. Nenhum livro, nenhum casaco, nada. O som da chuva forte começava a me confundir. Não havia nada no banco traseiro quando entrei no carro, eu conferi. Será que conferi?

Olhei para frente, tentando manter a atenção na rua. Uma sombra passou pelo retrovisor. Num piscar, meus olhos foram guiados para ele, mas não havia nada. Nada além do banco traseiro. Não há ninguém no banco traseiro. Ninguém no meu campo de visão.

Estava na quinta marcha. Quais são as chances de aquaplanagem? Diminui a velocidade. Torci para que não houvesse ninguém no banco de trás.

Saí da via expressa. O bairro estava sombrio, mas eu não estava mais a pé. Passei por uma grande poça, espirrando litros de água para todos os lados. Quando cheguei, o portão já estava aberto. Senti um calafrio. Será que apertei o controle uma quadra antes? Ou será que esqueci aberto? Terá entrado alguém? Devo chamar a polícia?

Com o carro estacionado, inspecionei o banco traseiro. Não havia nada. Saí do carro e tranquei. Respirei fundo. Abri a porta de casa. Nheeeec. O interior estava tão escuro quanto o exterior. Apesar disso, não liguei a luz. Não queria que percebessem minha chegada.

Atravessei a porta. Antes de fechar, procurei alguém escondido atrás dela. Ninguém. Lentamente, tirei a capa de chuva, deixando-a cair no chão. A chuva caía violentamente lá fora. Dentro, apenas o som do silêncio.

Percebi que estava com fome. Mas a cozinha era longe demais, perigosa. Decidi subir as escadas, na ponta dos pés. Um degrau, dois degraus. Se o invasor estiver armado, este é o momento de disparar. Oito degraus, nove degraus. Comecei a sentir uma ponta de esperança quando me aproximava do topo da escada. Dezessete degraus. Fim. Estou no segundo andar, pensei. Alguns passos até a porta do quarto. Momento crucial. Se algo der errado agora, terá sido tudo em vão.

Levemente, toquei a maçaneta. Girei-a. Abri a porta. O interior estava escuro, a chuva açoitava a janela. Mais uma vez, inspecionei atrás da porta. Nada. Entrei e fechei-a, ainda no escuro. Silenciosamente, girei a chave da porta. Acendi a luz. Olhei para os lados e percebi que o quarto estava vazio.

Uma sensação de liberdade invadiu meu peito quando me deixei desmoronar em cima da cama.

*

Agora que você terminou de ler, me diga:
O que você entendeu deste meu conto? Que fobia a pessoa tem?

Conto: Angélica

8 dez

ANGÉLICA

(Karen I. Soares)

Parte 1

Ela passou por mim, e eu quis saber quem era. Quem era a responsável por aquele instante infinito, aquela palpitação inesperada. Era um andar de mulher com a leveza de uma criança. Devia ser esperta, decidida, pequena e leve. Seu ritmo expressava preocupação. Seu movimento gerou uma leve brisa, que trouxe um perfume fresco e energizante.

Passou por mim como um furacão, levando embora tudo o que eu pensava, sentia, sonhava. Ficou apenas a lembrança. Esperança, dúvida, ansiedade, silêncio. E eu apenas queria saber: Quem era?

– A Angélica? Ela não é lá aquelas coisas…

Apesar da resposta rude do meu colega, não desanimei. O que importava para ele certamente não importava para mim. Eu queria saber mais sobre a autora daqueles passos firmes e delicados. Élficos. Enigmáticos.

Angélica…

***

Parte 2

Passei a prestar atenção nela. Eu sempre sabia quando ela ia entrar na sala, muito antes dos demais. Podia ouvir seus passos no corredor. Mesmo que estivessem misturados aos passos de uma multidão, eu os reconhecia. Ela podia estar calma, alegre, nervosa ou apressada, não importava. Nem sua emoção conseguia disfarçar seus passos de mim.

Me aproximei aos poucos. No início tive que encarar o silêncio absoluto de quem se sente incomodado, mas com o tempo conquistei sua confiança.

E esperei o momento certo.

Esperei.

Esperei a hora perfeita.

A hora perfeita para colocá-la contra a parede, e dizer-lhe tudo o que eu queria, do jeito que eu queria e nas condições que eu queria. Não disse tudo o que eu sentia, certamente, pois iria assustá-la, mas disse tudo o que eu queria.

Então senti o ruborizar da pele quente de seu rosto. Apesar de não tocá-lo, eu podia sentir. Seu coração batia acelerado, e eu não precisava vê-la para saber para onde ela olhava. Olhava diretamente nos meus olhos, apesar de estar tímida. A reação que eu pedia.

Era uma mistura de medo, timidez e ansiedade em experimentar algo novo. E eu não hesitei. Fiz o que tinha de fazer. Toquei seus lábios com os meus, pela primeira vez.

***

Parte 3

O tempo passou, e ela permitiu que eu me aproximasse ainda mais. Após um lento início, ela abriu seu coração, e passou a depender de mim, e eu dela.

Ela não sabia, mas eu sabia me virar sozinho. Mas jamais diria isso a ela. Gostava que ela me ajudasse em tudo o que eu fazia. Sempre prestativa e proativa, orgulhava-se disso.

E o tempo passou.

E passou mais um pouco.

Nossas vidas seguiam um rumo único, e éramos felizes. Ela se tornou uma grande mulher, como tinha de ser. Eu fiz o que era possível para acompanhá-la em cada passo, e ela valorizava isso.

Até que cheguei ao ponto mais marcante de minha vida. Aquele que mudaria tudo. Aquele que me fez dividir minha vida em antes e depois. Havia muito tempo que eu não pensava nessa possibilidade, e quando ela bateu à minha porta, me senti ansioso e indefeso.

Mas ela estava lá, minha amada Angélica. Pronta para ser útil, pronta para me ajudar em tudo o que eu precisasse. Mais uma vez senti, com emoção, seus passos ao meu lado. Sempre contraditórios, eles se dividiam em decididos e vacilantes. Mas ela segurava minha mão, como se tentasse me passar toda a coragem de que dispunha, enquanto minha maca era guiada por mãos e passos mecânicos e sem emoção alguma.

Até que uma porta nos separou, e em seguida adormeci.

.

 

Sono sem sonhos. Foi como se eu tivesse apenas mudado o canal da TV. Após um segundo de silêncio, já havia me teleportado para um canal completamente diferente. Estava novamente na cama. Inconscientemente mexi os dedos, e foi suficiente para ouvir ao meu lado um pulo de alegria. Era ela. Eu não sabia há quanto tempo me esperava, mas não ousei perguntar.

Desenrolei a venda. E tive a experiência mais extraordinária de toda minha vida. Olhei em volta, para aquele ambiente claro. Olhei para ela. Angélica. Pessoa maravilhosa, companheira para todos os momentos. Agora eu sabia: Ela era também a mulher mais linda, maravilhosa, perfeita… que eu já tinha visto em toda a minha vida.

E com certeza eu jamais veria cena mais emocionante, mais bonita, do que aquela sua expressão que misturava alegria e preocupação, e seus olhos azuis fixos nos meus.

Nos abraçamos forte, e choramos lágrimas confusas. Lágrimas de alívio, alegria, emoção.

Mas sobretudo, lágrimas de amor.

*

Agora que você terminou de ler, me diga:
O que você entendeu deste meu conto?

O trabalho enobrece o homem.

7 nov

Minha vó sempre dizia isso!!!

Bom, hoje vou postar aqui algumas das coisas que eu fiz nessa minha primeira-e-meia semana no Sebrae. Em primeiro lugar, me mandaram atualizar o Radar Sebrae, que é o mural de novidades da empresa. Não estou com tudo aqui, mas essas foram as primeiras coisas que eu fiz:

E fiz também um convite pra um evento:

É isso. Seguda-feira eu vou pegar as outras coisas que eu fiz.
Agora estou meio desanimada devido a uma gripe ducaramba, e ainda tive que fazer um trabalho de marketing e um discurso em inglês… vou dormir! Fui :*

Conto aleatório

17 out

Por que estou escrevendo isso aqui? Não sei. Talvez para não esquecer. Vai que isso me é útil algum dia…

De qualquer forma, o que vou começar a escrever por aqui são histórias aleatórias que surgem do nada na minha cabeça.

Lá vai!

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– Por que tá me olhando desse jeito? Você sabe que eu gosto de você há muito tempo. – disse Kaio, chegando mais perto de Laís. Esta se distanciou ainda mais, espremendo-se contra a parede. Já não tinha mais para onde fugir. – Eu gosto é de você. – repetiu, se aproximando cada vez mais. Os olhos já semicerrados, os lábios quase tocando nos dela.

Quando de repente, ela o empurrou para trás com violência.

– Você acaba – berrou Laís, se distanciando da parede, na direção de Kaio, apontando o dedo na cara do rapaz. – de perder todo o meu respeito! – virou-se para a direita e deu alguns passos, deixando Kaio para trás.

E, fugindo daquela situação constrangedora, parou a poucos centímetros de esbarrar em Eduardo. Foi um leve susto quando seus olhares se cruzaram, e a menina sentiu sua face se avermelhar.

Paf! Laís ouviu um barulho às suas costas. Virou-se na direção de Kaio, e percebeu que ele não estava mais sozinho. Acabara de chegar a última pessoa que Laís queria ver nesse momento: Bianca. E o fato de Bianca ter acabado de dar um tapa no rosto de Kaio significava que ela já estava assistindo a cena há alguns minutos.

– Nunca mais olhe na minha cara! – berrou Bianca, aos prantos. Mas Kaio não parecia muito preocupado.

Inconformada, Bianca virou na direção de Laís, lançando-lhe um olhar furioso, ainda com lágrimas escorrendo de seus olhos.

– Bianca… – foi a única palavra que Laís pôde dizer, com a voz falhando, antes de Bianca virar o rosto com violência, e sair dali batendo os pés. “Eu a odeio”, pensou. Mas logo seu pensamento mudou. “Não… eu não a odeio… eu queria SER ela”. E correu, sem rumo, enquanto chorava desesperadamente.