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Bariloche, Argentina (parte 3/3)

3 out

UMA NOVA AMIZADE

Eu já conhecia a Ariadne antes, ela era minha colega da escola, mas não a conhecia profundamente. Naquela viagem, nos tornamos unha e carne. Conversamos bastante, contamos nossos problemas, nossos segredos, demos conselhos uma à outra, e vivemos a melhor noite de todos os tempos. Ela é uma pessoa incrível! Infelizmente, quando voltamos ao Brasil, foi como se acordássemos de um sonho. Até tentamos sair juntas e tudo mais, mas gostávamos de ir a lugares diferentes e de sair com pessoas diferentes, e acabamos nos distanciando. Mas aquela noite valeu por todas!

Era o último dia em Bariloche, na manhã seguinte entraríamos no ônibus de volta a Buenos Aires, e então no avião para o Brasil. Ninguém aguentava mais ouvir música argentina, e queriam ir a uma rave. Eu era exceção: gostei tanto das músicas que até comprei um CD, mas topava ir a qualquer festa. Com a intenção de fechar com chave de ouro, as guias da excursão decidiram agradar, e nos levaram a um novo lugar.

Chegando lá, tivemos uma surpresa: fomos recebidos por um estranhíssimo travesti! (me perdoem, travestis, mas vocês não fazem parte da minha realidade, e eu continuo achando esquisito…) Usava um vestidinho rosa e rodado, que parecia de princesa, não fosse o seu cumprimento, no meio da coxa. O cabelo era muito loiro e comprido, e ele, ou ela, entregava balinhas aos visitantes.

O interior do salão estava completamente deserto, com exceção de vários travestis. Todos eles ofereciam balas, enquanto um DJ agitava uma pista de dança vazia. Ficamos ali por algum tempo, esperando que mais gente chegasse, mas éramos, realmente, só nós. Em um dado momento, um grupo de meninos da excursão começou a se comportar de modo estranho, depois ouvi falar que estavam usando lança-perfume. Foi nessa hora que as guias decidiram levar todo mundo embora daquele lugar esquisito. Um alívio.

No ônibus, todo mundo reclamava da noite decepcionante. Queriam ir para outra boate, mas as guias disseram que, como tínhamos combinado de ir para aquela festa, elas não haviam agendado nenhuma das boates principais. Como todos da excursão usávamos uma pulseirinha que nos tinham dado no dia em que chegamos a Bariloche, que servia para entrar nas cinco boates (By Pass, Genux, Cerebro, Grisú e Rocket) durante a semana que ficamos na cidade, algumas pessoas brincaram, dizendo que iam sair do hotel e ir a pé até a Cerebro, que ficava a apenas duas quadras, e entrar com a pulseira. No final, desistiram da ideia e decidiram ir a uma pizzaria ali perto.

Eles desistiram da ideia, mas Ariadne e eu, não.

*

TCHAU, TCHAU, EXCURSÃO!

Fizemos uma horinha no hotel para disfarçar, e depois saímos pra rua. Passamos em frente à tal pizzaria onde todo mundo estava comendo e fomos para a Cerebro. Na porta tinham três seguranças, e eu pensei que seríamos barradas. Mas a Ariadne é uma ótima atriz! Ela chegou na frente dos seguranças, olhou pro letreiro acima da cabeça deles, apontou com a mão onde estava a pulseirinha e leu, devagar como uma criança “Ce-re-bro”, olhou para mim e disse “é aqui mesmo, Karen, vamos entrar”, como se nossa excursão estivesse lá dentro. Eles não entenderam nada do que ela disse, e um olhou para o outro com uma cara de quem não sabe o que fazer. Então ela me puxou pela mão e nós duas entramos, sem nem olhar para a cara dos seguranças.

Já passava e muito de meia-noite, por isso não pudemos ver o show de lasers, mas isso não fez falta. Como não precisávamos pegar o ônibus às 4, ficamos até as 7 da manhã. Descobrimos que depois das 4 a boate começava a tocar música brasileira, e ficamos dançando com dois argentinos. Era engraçado, porque a gente podia fazer qualquer “passinho pra frente, passinho pra trás” que eles achavam que a gente estava abalando! A Ari ficou com o argentino dela, o que foi ótimo, já que ela precisava esquecer o ex-namorado, mas eu só enrolei o meu argentino. Ele não deve ter gostado muito disso, hehehe.

Quando saímos da Cerebro, o céu estava muito claro, mas não tinha sol. Era um céu branco esquisito. Fomos a um café tomar um chocolate quente e fizemos as últimas compras na cidade (compramos muito chocolate!). Quando estávamos entrando no hotel, a guia estava saindo. Pensei que ela fosse reclamar, mas tudo o que me disse foi um simpático “bom dia”. Ariadne e eu subimos as escadas e foi cada uma para seu quarto.

Cinco minutos depois, a guia ligou no telefone do meu apto, onde minhas três colegas de quarto ainda dormiam. Ela disse que estava nevando, e me chamou para ver. Como nunca tinha nevado na cidade enquanto estávamos ali, desci correndo e encontrei a Ariadne no hall. A cidade estava toda branca, com uma camada de 20 cm de neve. Parecia cena de filme, a cidade do Papai Noel. Neve branquinha e macia, caindo em pequenos flocos e cobrindo casas e carros. Fascinante.

Este foi o último dia de uma viagem inesquecível.

Bariloche, Argentina (parte 2/3)

29 set

Continuando minhas aventuras em Bariloche…

DIVERSÃO: ESQUIAR

Mas não apenas de boates vive Bariloche! Durante o dia fizemos vários passeios. De todos, o que mais gostei foi ir esquiar. Eu nunca tinha feito isso antes, e descobri que é uma sensação maravilhosa! O chato foi que o lugar onde nos levaram era pequeno. Eu tinha que esquiar em direção a um lugar abarrotado de gente, e depois subir a pé um pequeno morro cheio de neve, para poder descer de novo.

O problema não é subir a pé. O problema é que, quando você está usando esqui, você não pode dar passos normais. Tem que virar de ladinho e ir andando sem cruzar as pernas, que nem velha subindo escada, o que demora um tempão. Também tem a opção tirar os esquis e carregá-los ladeira acima, mas essa é ainda pior do que a primeira. Tirar já dá trabalho, carregar, então… Pense bem: é um par de esquis mais um par daquelas varetas, cada um deles mede a altura do seu ombro. Isso no gelo, com luvas nas mãos. Chegando lá, você ainda tem que pôr o esqui de volta no pé, correndo o risco de se desequilibrar e descer a montanha rolando.

Apesar das dificuldades, eu amei a experiência. Quando todos os outros já tinham cansado e estavam sentados na neve conversando, eu ainda subia e descia, subia e descia, subia e descia feliz da vida, até a hora de ir embora. Aí começou um problemão: o teleférico que descia a montanha apresentou defeito. O tempo todo ele parava de funcionar, e tivemos que esperar por horas. Começou a anoitecer, ventava, caía neve e caía a temperatura. Todo mundo ficou doente naquele dia e muitos decidiram não ir esquiar de novo no dia seguinte. Mas eu fui!

Bariloche, Argentina (parte 1/3)

20 set

Como prometido, vou falar das viagens legais que já fiz. Decidi começar por Bariloche, pois é uma das viagens mais antigas de que me lembro bem. Como o post ficou grande demais, resolvi dividi-lo em 3 partes, esta é a primeira.

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ÉPOCA DE BADALAÇÃO

No ano em que fiz 15 anos, meu pai me perguntou se eu ia querer ganhar uma festa de debutante ou uma viagem internacional. Não pensei duas vezes e fui numa excursão para Bariloche, Argentina. Como eu era uma adolescente maluca, adorei a viagem! Conheci várias boates diferentes, esquiei pela primeira vez e fiz uma grande amizade.

Naquela época eu gostava de farra. Tudo começou quando eu tinha 14 anos e conheci o “Domingo Teen” em uma casa noturna de Campo Grande. Era uma festa que acontecia todo domingo, das 18 às 23 horas, onde não havia bebida alcoólica, e só podiam entrar pessoas de 10 a 17 anos. Passei a ir sempre com minhas amigas, nós dançávamos, bebíamos Coca-Cola e encontrávamos a galera. No fim da festa, quando o lugar fechava e todo mundo era posto pra fora, os meninos brigavam lá na frente, clã contra clã, e todo mundo ficava pra assistir. A gente achava engraçado, mas hoje eu vejo que era um problemão! Deve ser por isso que o Domingo Teen não durou muito tempo…

Como as festas teens passaram a ser escassas, minhas amigas e eu começamos a frequentar baladas adultas. Todo sábado bebíamos cerveja, conhecíamos rapazes muito mais velhos, voltávamos pra casa ao nascer do sol. Graças a Deus nada nunca nos aconteceu! Eu não sou uma pessoa religiosa, mas com tantos casos de drogas, estupro e prostituição, só Deus mesmo pra ter evitado que algo ruim nos acontecesse. Tenho dito que, no dia em que eu tiver uma filha, ela vai ir todo dia de casa pra escola e da escola pra casa, e vai passar o fim de semana inteirinho em casa, assistindo Cartoon Network, que é para não fazer todas as maluquices que eu fiz! Hahaha.

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AS BOATES

A viagem a Bariloche foi o meu Woodstock. Assim como o Woodstock marcou o ápice e declínio do Flower Power, esta viagem marcou o ápice e o declínio da minha vida boêmia. Lá estão as maiores e mais legais boates que já conheci. Cada uma com uma temática diferente: a By Pass tinha decoração romana, a Genux parecia uma nave espacial, a Cerebro exibia, exatamente à meia-noite, um show de lasers. A Grisú foi a que mais gostei, é como se eu estivesse dentro de uma mina de carvão, os corredores formavam um labirinto. Certo momento eu estava num mezanino, e queria descer para a pista de dança. Andei, andei e não conseguia encontrar o caminho!

A última, que também gostei muito, foi a Rocket. Como o nome sugere, ela era em forma de foguete. A boate era mais alta do que larga, possuía vários bares, pistas e mezaninos, e, de onde você estivesse, podia ver quase todas as áreas. Nesta nós fomos duas vezes.

As boates estavam inclusas no pacote e, assim que você entrava, ganhava um vale-balde. O balde era um copo gigante (do tamanho de um balde!), cheio de uma bebida aleatória. Eu digo aleatória porque você entregava o vale ao barman e ele fazia uma mistura qualquer, jogava um punhado de canudinhos dentro e te entregava. Cada vez vinha de uma cor diferente! Aí todo mundo dividia, e cada pessoa bebia de vários baldes em uma mesma noite. A primeira vez que pedi o meu, vi uma placa bem grande que dizia: “não vendemos bebidas a menores de 18 anos”. Apesar disso, ao dar o primeiro gole fiquei completamente zonza. Então dei uma bela risada. Afinal, naquela balada pelo menos 50% das pessoas eram menores de idade!

Como um balde era suficiente pra maioria das pessoas, e lá fora era muito frio, a única coisa que tínhamos que levar para as boates eram 2 pesos, para deixar o casacão no guarda-volumes. Lá tocava música eletrônica e música argentina, e o ônibus da excursão partia para o hotel às 2, às 3 e às 4 da manhã. Eu sempre pegava o último.

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Continua no próximo post 🙂