Arquivo | Textos e Contos RSS feed for this section

Perseverança

23 jan

per.se.ve.ran.ça
sf (lat perseverantia) Qualidade de quem persevera; constância, firmeza, pertinácia. Antôn: inconstância. (www.michaelis.uol.com.br)

Apesar de muitas vezes não parecer, perseverança é uma palavra forte. Para mim, ela soa forte. É uma forma de esperança, mas não a de quem espera de braços cruzados; se possível, sentado. É o equilíbrio perfeito entre fé e ação.

Eu sou uma sonhadora. Não no sentido pejorativo da expressão, eu sou uma pessoa que sonha com um futuro de realizações. Realizações, estas, possíveis de serem alcançadas, mas que exigem certo esforço. É por isso que, quando me perguntam a quantas andam meus projetos, eu logo digo que estou sendo perseverante.

Um desses projetos, quem me conhece já sabe, é terminar de escrever e publicar meu livro de aventura infanto-juvenil. Ao ouvir isso, alguns abrem logo um sorriso e me perguntam quando vou publicá-lo. Outros quebram o contato visual e dizem que escrever um livro é uma tarefa muito difícil, e que dificilmente fica bom.

Aos que acreditam em mim, muito obrigada. Infelizmente, não sei quando nem se ele será publicado. É claro que quem escreve um livro pretende publicá-lo, mas isso é uma questão que não depende só de mim. A boa notícia é que deve ficar pronto por Julho! Quanto aos que duvidam, peço humildemente que reconsiderem. Minha perseverança inclui trabalho duro, ler, perquisar, fazer, refazer e “trefazer”. Por mais que todos concordem que é um feito difícil, quem é sábio o suficiente para me julgar incapaz? Na minha opinião – e dificilmente ela será mudada – todo trabalho feito com o coração é um trabalho bem feito. E, se mesmo assim por algum motivo não dê certo, a experiência não é prêmio de consolação, é um prêmio real. Afinal, a prática sempre leva à perfeição ao aprimoramento.

Eu sou uma sonhadora, mas sou uma sonhadora com o pé no chão: não espero enriquecer vendendo livros. Além disso, sei que raramente o primeiro livro que uma pessoa escreve fica realmente bom, mas, acreditem no que digo, a lógica não permite que se escreva o segundo sem escrever o primeiro, e ela não abre exceções. Além disso, mesmo que o resultado do meu trabalho seja um livro ruim, ele será o meu livro, e essa é uma grande realização, por si só.

Não por estes motivos, mas por fatores inerentes meus, além da continuação do primeiro livro, eu já tenho a ideia quase pronta de mais duas histórias diferentes, volumes únicos. Escrever leva tempo, por isso as ideias estão na gaveta, mas não pretendo que fiquem lá por muito tempo. Até o final do ano – depois que eu terminar este primeiro livro e tiver entregado meu artigo para concluir a pós-graduação – espero começar a escrever.

Por hora, continuo o que estou fazendo. Passei dez agradáveis dias na praia, onde pude adiantar um pouco a história atual. Escrevi, inclusive, um capítulo recheado de cenas de ação, que ficou muito melhor do que imaginei que ficaria. Surpreendi a mim mesma! Não existe satisfação melhor – e mais difícil de alcançar – do que essa.

Anúncios

Crônica: Torrente

11 mar

TORRENTE

(Autora: Karen I. Soares)

Cenário de guerra. É assim que os jornais descrevem nossa cidade. Muros caídos, casas arrasadas, pontes em ruínas. À minha direita, uma árvore na posição horizontal exibe suas raízes recém-arrancadas da terra pela chuva violenta. O córrego corre furioso. Suas águas, muito mais altas do que de costume, exibem coloração marrom e retratam os desastres da noite anterior. Pedaços de lixo flutuante são arrastados ao bel-prazer da correnteza, e logo somem de vista.

O trânsito é caos, sempre é. Semáforos não funcionam e leis não mais existem. Um carro desvia de um buraco e cai numa poça, jorrando água para o alto e encharcando um pedestre, mas não se importa. Todos estão confusos, preocupados. Tentam garantir a segurança de sua família e bens, as suas coisas.

Mas eis que, no meio do caos, heróis surgem. Ouve-se o assovio de um apito, e todos os carros param. É um agente de trânsito. Um ser humano como você e como eu, cuja função é cuidar da segurança de todos, e todos respeitam esta função e obedecem às suas ordens. Ao som do apito, motoristas param e prosseguem, e o trânsito torna-se harmonioso. Jamais se inventará um semáforo automático tão bom quanto um ser humano.

Em uma região menos flagelada da cidade, o sinal vermelho impede que alguns carros se movimentem, enquanto outros cruzam seu caminho. Novamente, um som deixa todos em alerta, é o som de uma sirene. Os motoristas ouvem, param, identificam de que direção a ambulância vem e tomam providências.

Aqueles que estão cruzando ignoram o sinal verde e se atêm de prosseguir. Aqueles que estão parados, ignoram o sinal vermelho e cruzam, afastando-se para a lateral da rua, a fim de abrir passagem. Alguém pode estar morrendo naquela ambulância, não podemos atrapalhar!

Em meio à desorganização, instintivamente as pessoas se organizam e confiam naqueles que não querem nada senão ajudar. Mesmo em meio ao caos, à destruição e às dificuldades, a ajuda surge e as pessoas colaboram. Isso faz eu me lembrar que, apesar de tudo, ainda vivemos em sociedade, e que, amanhã, o Sol vai raiar.

Clique aqui para ler a notícia: Campo Grande (MS) decreta
estado de emergência por causa das chuvas

.

Conto: Fobia

23 out

FOBIA

(Autora: Karen I. Soares)

Andava pela rua deserta e úmida. Era noite sem lua e já passava da hora de estar em casa. De acordo com o movimento de meus braços, ouvia o som da capa de chuva ainda molhada esfregando em si mesma.

Na escuridão, tudo o que se podia ver eram, sobre as superfícies, o reflexo da luz longínqua de um poste. Caminhei lentamente pelo chão escorregadio de uma calçada, enquanto ouvia nada, além do som da capa de chuva.

O cheiro de terra molhada não servia de consolo em meio à sensação caótica que a rua deserta proporcionava. O silêncio mortal não significava solidão, mas sim o prelúdio de uma companhia aterradora. Sábado de madrugada. Além de mim, quem mais andaria sóbrio pela rua?

De repente, senti um movimento vindo de trás. Terá sido só impressão? Ou será que vem alguém? Pensei. Quem seria? Devo olhar e descobrir logo quem é? Ou será melhor continuar andando e fingir que não notei?

Uma sirene de ambulância irrompeu de algum lugar longínquo. O movimento às minhas costas persistia. O som diminuiu à medida que a ambulância se distanciou, até que desapareceu, deixando apenas o eco em minha mente. Comecei a pensar se teria que lutar por minha vida, enquanto o movimento teimava em me seguir. Seria mais inteligente eu simplesmente correr? Com esforço, tomei uma decisão e, repentinamente, me virei para encarar meu perseguidor.

Ninguém.

Um vento frio passou pelo meu pescoço, gelando a alma. Retomei meu caminho, com passos mais rápidos. O tempo voltava a fechar.

À medida que caminhava, percebi que não estava só. Sobre um muro à minha direita, um par de olhos felinos me observava. Negro como a noite, o gato estava imóvel como uma estátua, com exceção de seus olhos dourados, que me seguiam. Quando me aproximei, sem emitir um som sequer, ele deu as costas e desapareceu, misturando-se com a noite.

Segui meu caminho. Discretamente, coloquei a mão no bolso e apertei o controle do carro. Entrei e tranquei a porta. Um raio rasgou o céu à minha frente, seguido de um trovão. Dei partida e pus o carro em movimento.

O limpador de pára-brisa varria a paisagem à minha frente enquanto a chuva caía. Pelo retrovisor, eu via a escuridão sendo deixada para trás.

Peguei a via expressa. Para minha surpresa, ela estava deserta. Postes passavam por mim. Luz, trevas, luz, trevas, luz, trevas. Contava os minutos para chegar.

Não há nada no banco traseiro, pensei. Nenhum livro, nenhum casaco, nada. O som da chuva forte começava a me confundir. Não havia nada no banco traseiro quando entrei no carro, eu conferi. Será que conferi?

Olhei para frente, tentando manter a atenção na rua. Uma sombra passou pelo retrovisor. Num piscar, meus olhos foram guiados para ele, mas não havia nada. Nada além do banco traseiro. Não há ninguém no banco traseiro. Ninguém no meu campo de visão.

Estava na quinta marcha. Quais são as chances de aquaplanagem? Diminui a velocidade. Torci para que não houvesse ninguém no banco de trás.

Saí da via expressa. O bairro estava sombrio, mas eu não estava mais a pé. Passei por uma grande poça, espirrando litros de água para todos os lados. Quando cheguei, o portão já estava aberto. Senti um calafrio. Será que apertei o controle uma quadra antes? Ou será que esqueci aberto? Terá entrado alguém? Devo chamar a polícia?

Com o carro estacionado, inspecionei o banco traseiro. Não havia nada. Saí do carro e tranquei. Respirei fundo. Abri a porta de casa. Nheeeec. O interior estava tão escuro quanto o exterior. Apesar disso, não liguei a luz. Não queria que percebessem minha chegada.

Atravessei a porta. Antes de fechar, procurei alguém escondido atrás dela. Ninguém. Lentamente, tirei a capa de chuva, deixando-a cair no chão. A chuva caía violentamente lá fora. Dentro, apenas o som do silêncio.

Percebi que estava com fome. Mas a cozinha era longe demais, perigosa. Decidi subir as escadas, na ponta dos pés. Um degrau, dois degraus. Se o invasor estiver armado, este é o momento de disparar. Oito degraus, nove degraus. Comecei a sentir uma ponta de esperança quando me aproximava do topo da escada. Dezessete degraus. Fim. Estou no segundo andar, pensei. Alguns passos até a porta do quarto. Momento crucial. Se algo der errado agora, terá sido tudo em vão.

Levemente, toquei a maçaneta. Girei-a. Abri a porta. O interior estava escuro, a chuva açoitava a janela. Mais uma vez, inspecionei atrás da porta. Nada. Entrei e fechei-a, ainda no escuro. Silenciosamente, girei a chave da porta. Acendi a luz. Olhei para os lados e percebi que o quarto estava vazio.

Uma sensação de liberdade invadiu meu peito quando me deixei desmoronar em cima da cama.

*

Agora que você terminou de ler, me diga:
O que você entendeu deste meu conto? Que fobia a pessoa tem?

Amizade

11 maio

(Ilustração feita em casa, como treino)

Qual a diferença entre a amizade infantil e a amizade adulta? Estive pensando sobre isso e decidi escrever. Não para crucificar uma ou outra, mas descobrir o que cada uma tem de bom.

Lembro-me das amizades que fiz na minha infância. Naquele tempo, parecia que eu jamais me separaria dos meus amigos. Parecia que eles sempre estariam ali comigo, eu não tinha medo de que fossem embora. Ao mesmo tempo, eu vivia mudando de cidade e adorava! Por isso deixei muitos para trás sem nem sequer me importar. Por mais que amasse meus amigos, eu sabia que faria novos na próxima cidade. Eu nunca estaria sozinha.

Me tornei adolescente e as amizades se tornaram ainda mais fortes. Eu defendia meus amigos com unhas e dentes, seja lá qual fosse a ameaça, e isso era mútuo. Minha opinião era transparente enquanto pessoas falsas eram apedrejadas em praça pública. O maior medo que me assolava era o medo de perder meus amigos. Nunca mais desejei mudar de cidade, não queria me distanciar.

Mas, como já disse no post sobre o livro O Enigma do Quatro, as pessoas surgem em nossas vidas, cumprem seu papel e depois simplesmente seguem seus caminhos. E por mais que telefonem e mandem e-mails, todos mudam com o tempo. Como ema e avestruz, separados geograficamente por milhões de anos, cada um se adapta à sua realidade, e a vida segue.

E assim surgem as amizades adultas: depois de muito fazer grandes amigos, e estes se tornarem colegas, e então conhecidos, e então desconhecidos. Com os anos, cada um cria um escudo em torno de si, contra o desapontamento e a solidão. Mas este escudo é grande demais e atrapalha a visão de quem o usa.

Meses atrás eu me sentia sozinha e sem amigos. Confesso!!! Mas então tomei a decisão de jogar o escudo pela janela e me aproximar mais dos outros, sem medo. Assim descobri que quase todos se sentiam tão sozinhos quanto eu, muitos amigos me confessaram isso. Agora alguém me responda: isso faz sentido? Se várias pessoas se sentem sozinhas, por que não se juntam e ficam felizes e saltitantes até que o imprevisto os separe?

É essa a equação: somar o que há de melhor em cada época da vida. A despreocupação da infância, a lealdade da adolescência e as facilidades que os adultos têm em dar manutenção a amizades distantes. Essa é a minha equação, da minha vida. E é com base nela que eu vou evoluir para o próximo estágio. E você, já pensou na sua forma de amizade?

Violeta Flor do Cerrado. Nunca mais ouvi falar de você, amiga. Você não existe na internet! Será que escrevendo seu nome aqui, um dia você me acha? =)

Livro: O Enigma do Quatro

7 maio

Voltando a falar sobre livros que eu li e gostei, hoje o assunto é O Enigma do Quatro, de Ian Caldwell e Dustin Thomason.

O Enigma do Quatro foi um livro que me prendeu do início ao fim. Conta a história de Tom, um jovem americano prestes a se formar em Princeton que, juntamente com seu amigo Paul, procura desvendar os segredos do Hypnerotomachia Poliphili, um livro enigmático que foi publicado na Renascença, na mesma época da Bíblia de Gutemberg. Ao mesmo tempo, existem outras pessoas com o mesmo objetivo, que fariam qualquer coisa para conseguir. E entre inimigos e aliados, eles seguem as investigações até que suas próprias vidas sejam colocadas em risco.

O interessante é que quanto mais Tom se concentra na resolução das charadas que o livro traz, mais obcecado ele fica. É como uma droga. Ou, para ser mais light, na aba do Enigma diz que o Hyperotomachia “exerce um poder hipnótico sobre aqueles que o estudam”. A dependência é tamanha que chega uma hora em que Tom precisa decidir entre o livro e a namorada!

As charadas do Hypnerotomachia são boas, mas falando francamente, não foram elas que me prenderam como leitora. O lado mais atraente do livro é quando ele fala sobre as relações humanas, deixando claro que o bem mais precioso que possuímos são as pessoas ao nosso redor, em contraste com o vício de Tom pelo livro. Grande parte é contado em flashback, como Tom conheceu cada um de seus três amigos de quarto, como se apaixonou por sua namorada, histórias que seu pai lhe contava, etc.

Li O Enigma do Quatro em Floripa, durante as férias de Janeiro, e lembro claramente como eu ia para a praia com o livro debaixo do braço, chegava a ser engraçado! Lembro também de todo mundo dormindo depois do almoço e só eu acordada, lendo. Todos podiam ver minha excitação… Até que o livro terminou! Foi muito esquisito… Geralmente, quando eu gosto demais de um livro, continuo dentro dele por semanas, com a cabeça nas nuvens, imaginando… Mas com o Enigma não foi assim. Assim que terminei fiquei séria, digerindo a história. Muitos acharam que eu não tinha gostado do final. E realmente, não tinha!

Apesar da grande e prevista descoberta histórica, o final não agradou muito… O motivo é que, depois de ter me contado a história de como grandes amizades começam, esse livro fez questão de me contar como grandes amizades terminam. Pessoas entram em nossas vidas, cumprem seu papel e depois simplesmente seguem seus caminhos. Vai cada um para seu lado e fim. Dura realidade!

Fiquei chocada, não esperava isso. Mas agora já passou, me acostumei com a idéia e digo: este livro é genial! Leiam! E quanto ao nome… Bom, não se prendam ao nome. O tal “enigma do quatro” só aparece no terço final do livro…

Matéria para Prova – Ricardo Rojas

14 abr

Olá, colegas!

Infelizmente eu pensei que a prova do Ricardo Rojas fosse na quinta-feira, por isso não fiz resumo. Obrigada a quem avisou que é hoje! Se não eu ia ter uma surpresa quando chegasse na facul…

Como já disse, não fiz resumo. Mas pra quem não tem a matéria, pode baixar parte dela aqui:
Clique aqui para baixar

Edição: Oba! Consegui fazer upload dos arquivos! Você pode baixar o ZIP aqui.

Resumos para Provas – Ana Paula e Andréia Chiara

8 abr

Colegas de turma,

Fiz um resumão pra prova de Comunicação Organizacional, da Profª Ana Paula. Ontem estava incompleto, mas hoje adicionei o que faltava. Você pode baixar aqui: Resumo Ana Paula.

Além disso, a Alina e eu respondemos às questões de revisão de Pesquisa de Mercado, da Profª Andréia Chiara. Você pode baixar aqui: Revisão Andréia Chiara.

Apesar de ter os resumos, aconselho você a ler pelo menos uma vez as matéria nas íntegra. No mais, boa sorte! 😉

Conto: Angélica

8 dez

ANGÉLICA

(Karen I. Soares)

Parte 1

Ela passou por mim, e eu quis saber quem era. Quem era a responsável por aquele instante infinito, aquela palpitação inesperada. Era um andar de mulher com a leveza de uma criança. Devia ser esperta, decidida, pequena e leve. Seu ritmo expressava preocupação. Seu movimento gerou uma leve brisa, que trouxe um perfume fresco e energizante.

Passou por mim como um furacão, levando embora tudo o que eu pensava, sentia, sonhava. Ficou apenas a lembrança. Esperança, dúvida, ansiedade, silêncio. E eu apenas queria saber: Quem era?

– A Angélica? Ela não é lá aquelas coisas…

Apesar da resposta rude do meu colega, não desanimei. O que importava para ele certamente não importava para mim. Eu queria saber mais sobre a autora daqueles passos firmes e delicados. Élficos. Enigmáticos.

Angélica…

***

Parte 2

Passei a prestar atenção nela. Eu sempre sabia quando ela ia entrar na sala, muito antes dos demais. Podia ouvir seus passos no corredor. Mesmo que estivessem misturados aos passos de uma multidão, eu os reconhecia. Ela podia estar calma, alegre, nervosa ou apressada, não importava. Nem sua emoção conseguia disfarçar seus passos de mim.

Me aproximei aos poucos. No início tive que encarar o silêncio absoluto de quem se sente incomodado, mas com o tempo conquistei sua confiança.

E esperei o momento certo.

Esperei.

Esperei a hora perfeita.

A hora perfeita para colocá-la contra a parede, e dizer-lhe tudo o que eu queria, do jeito que eu queria e nas condições que eu queria. Não disse tudo o que eu sentia, certamente, pois iria assustá-la, mas disse tudo o que eu queria.

Então senti o ruborizar da pele quente de seu rosto. Apesar de não tocá-lo, eu podia sentir. Seu coração batia acelerado, e eu não precisava vê-la para saber para onde ela olhava. Olhava diretamente nos meus olhos, apesar de estar tímida. A reação que eu pedia.

Era uma mistura de medo, timidez e ansiedade em experimentar algo novo. E eu não hesitei. Fiz o que tinha de fazer. Toquei seus lábios com os meus, pela primeira vez.

***

Parte 3

O tempo passou, e ela permitiu que eu me aproximasse ainda mais. Após um lento início, ela abriu seu coração, e passou a depender de mim, e eu dela.

Ela não sabia, mas eu sabia me virar sozinho. Mas jamais diria isso a ela. Gostava que ela me ajudasse em tudo o que eu fazia. Sempre prestativa e proativa, orgulhava-se disso.

E o tempo passou.

E passou mais um pouco.

Nossas vidas seguiam um rumo único, e éramos felizes. Ela se tornou uma grande mulher, como tinha de ser. Eu fiz o que era possível para acompanhá-la em cada passo, e ela valorizava isso.

Até que cheguei ao ponto mais marcante de minha vida. Aquele que mudaria tudo. Aquele que me fez dividir minha vida em antes e depois. Havia muito tempo que eu não pensava nessa possibilidade, e quando ela bateu à minha porta, me senti ansioso e indefeso.

Mas ela estava lá, minha amada Angélica. Pronta para ser útil, pronta para me ajudar em tudo o que eu precisasse. Mais uma vez senti, com emoção, seus passos ao meu lado. Sempre contraditórios, eles se dividiam em decididos e vacilantes. Mas ela segurava minha mão, como se tentasse me passar toda a coragem de que dispunha, enquanto minha maca era guiada por mãos e passos mecânicos e sem emoção alguma.

Até que uma porta nos separou, e em seguida adormeci.

.

 

Sono sem sonhos. Foi como se eu tivesse apenas mudado o canal da TV. Após um segundo de silêncio, já havia me teleportado para um canal completamente diferente. Estava novamente na cama. Inconscientemente mexi os dedos, e foi suficiente para ouvir ao meu lado um pulo de alegria. Era ela. Eu não sabia há quanto tempo me esperava, mas não ousei perguntar.

Desenrolei a venda. E tive a experiência mais extraordinária de toda minha vida. Olhei em volta, para aquele ambiente claro. Olhei para ela. Angélica. Pessoa maravilhosa, companheira para todos os momentos. Agora eu sabia: Ela era também a mulher mais linda, maravilhosa, perfeita… que eu já tinha visto em toda a minha vida.

E com certeza eu jamais veria cena mais emocionante, mais bonita, do que aquela sua expressão que misturava alegria e preocupação, e seus olhos azuis fixos nos meus.

Nos abraçamos forte, e choramos lágrimas confusas. Lágrimas de alívio, alegria, emoção.

Mas sobretudo, lágrimas de amor.

*

Agora que você terminou de ler, me diga:
O que você entendeu deste meu conto?

Livros que eu NÃO Recomendo

28 out

Continuando o post sobre livros, hoje vou falar dos que eu li e não gostei. Essa é a parte mais difícil… espero que ninguém me xingue!

LIVROS QUE NÃO RECOMENDO

***

ARTEMIS FOWL, EOIN COLFER

Eu simplesmente adoro a forma como Colfer narra sua história. Ele foca em um personagem por vez, mostrando tudo o que ele vê e sente. Mas o mais incrível é a forma como ele passa de um personagem para outro. A história segue de forma fluida, e a leitura gostosa. Se eu ler algum dos outros livros dele, talvez até goste. Mas não Artemis Fowl.

Comecei revirando uma prateleira de uma livraria. Agradeceria se tivesse escrito o número do livro em algum lugar fácil de encontrar, assim eu não levaria tanto tempo para descobrir que o primeiro livro é Artemis Fowl, O Menino Prodígio do Crime. Agora parece meio óbvio, mas na hora não parecia. Mas agora pensando bem, são poucas as coleções que possuem o número do livro, que eu me lembre só Deltora Quest. Preferia que todas tivessem.

Ok. Comprei o livro, li e adorei. O problema foi quando decidi ler o segundo. Mais um tempão na livraria para descobrir que o segundo era Artemis Fowl, Uma Aventura no Ártico. E foi quando comecei a ler este, que percebi que mal lembrava o nome dos personagens. E após algumas conversas, percebi o quanto era boba uma história onde um menino superdotado, super-rico e super-sagaz decide roubar o ouro dos duendes, que na verdade moram num mundo subterrâneo. E anões que cavam túneis comendo terra na frente e ahm… defecando atrás, como uma minhoca. Resumindo, a história não me cativou, não convenceu.

Dizem que o livro 7 é muito bom. Mas eu não estou nem um pouco com vontade de ler quatro livros ruins só pra ler um bom depois, e também não tenho vontade de pular metade da coleção. O 1 até que é legal também, até que inventaram de criar uma versão de quadrinhos… E o Artemis, que era um personagem até que legal, passou a ser apenas uma criança esquisita.

***

FRONTEIRAS DO UNIVERSO, PHILIP PULMAN

Pra quem não sabe, Fronteiras do Universo é o nome da coleção que inclui: A Bússola de Ouro, A Faca Sutil, e A Luneta Âmbar.

Saí da sala do cinema com várias dúvidas sobre o enredo do filme (por que eles fizeram tal coisa, se não tinham motivo algum?), e um pouco desapontada com a recente descoberta de que se tratava de uma trilogia. Então decidi que não iria esperar pelo próximo filme para saber como a história continuava. Preciso dizer que adorei os ursos de armadura?

Comprei o primeiro livro. A história começou exatamente igual ao filme, e parecia que nunca ia começar a realmente acontecer alguma coisa. Mas a história começou a acontecer, apesar de nunca atingir a velocidade que eu esperava. Várias das minhas dúvidas foram sanadas, pois eram apenas erros de adaptação, e descobri que um dos mocinhos do filme não mantém a impressão de bonzinho da história durante todo o livro. E, ao contrário do filme, o livro tem final SIM. Não é como Senhor dos Anéis, que continua no próximo episódio, mas como Harry Potter, que cada livro tem início, meio e fim. Mas em A Bússola de Ouro, eles cortaram o final do filme, onde o tal personagem fica malvado.

Apesar de ser um livro meio morno, a curiosidade bateu, e eu comprei o segundo. Então eu percebi o quão escancarada é a heresia dessa série. Chega ao ponto de os personagens quererem o impeachment de Deus! E juntarem um exército pra isso, incluindo humanos, anjos, bruxas, e todo tipo de criatura. Até matam criancinhas pra poder ultrapassar as fronteiras do universo, entrando em algum outro mundo paralelo. Eu fico imaginando… ao contrário do primeiro livro, o primeiro filme é bem tranquilo e infantil. Então como será que eles esperam fazer o segundo?

Depois disso tudo, desisti de ler o último livro. Em vez disso, li alguns spoilers na Wikipédia, o que serviu apenas para reforçar minha aversão.

***

CREPÚSCULO, STEPHENIE MEYER

Ao ter em mãos um livro sobre vampiros, e ainda por cima escrito por uma mulher, a primeira coisa que me veio à mente foi que com certeza esses vampiros seriam bem diferentes daqueles com que estou acostumada. Imaginei que se bronzeariam, se afogariam, se apaixonariam por humanos, e andariam de braços dados com lobisomens. Eu já estava psicologicamente preparada. Mas, para meu espanto, até que não foi tão ruim assim. O vampiro se apaixona sim por uma humana, e adora o sol. Mas ele não respira e, apesar da atual trégua, vive uma rivalidade com os lobisomens. No quesito vampiro, a autora está aprovada.

O maior problema dessa história é que ela é boba. Simplesmente boba. Pra começo de conversa, ela é inteira baseada em amor à primeira vista. Que os românticos me perdoem, mas eu não acredito nessa baboseira. Nunca aconteceu comigo, me interesso muito mais por quem está sempre comigo e me faz companhia. Amor à primeira vista pode até existir como algo mais carnal, mas não aquela coisa melosa que aparece no livro.

Então a história é essa: o vampiro gato pra caramba, rico e cavalheiro se apaixona de repente e sem motivo algum pela garota desastrada que não tem nada em especial. E eles passam o livro inteiro naquela “você devia ficar longe de mim, sou perigoso”, “mas eu não tenho medo de você”. Nada acontece até quase no final, quando aparece o vampiro malvadão que quer o sangue da menina. Então eles fogem. A menina, o vampiro galã e a família vampira dele (que, diga-se de passagem, só sugam sangue de animais, e nunca de pessoas). Fogem sem motivo algum. No final das contas, dois dos vampiros bonzinhos facilmente dão uma coça no malvadão, mas não antes deste dar umas porradas na menina.

Além do enredo, a narrativa também é péssima. A autora definitivamente não sabe narrar cenas de ação. Por isso, sempre que alguma coisa vai acontecer, misteriosamente a personagem principal desmaia, ou não consegue ver direito o que aconteceu, poupando a autora de uma descrição mais difícil. Piada!

O final é muito sem graça. Eu já estava decidida a não comprar Lua Nova, o segundo livro da coleção, quando tive uma surpresa: provavelmente sabendo que a obra era uma porcaria, publicaram o primeiro capítulo do segundo livro no final do primeiro. Um capítulo inteiro! Que termina numa situação muito boa, mas já até imagino o desfecho bobo que deve ter, no segundo capítulo. Bem, essa é a minha opinião. Minha irmã mais nova adorou, então dei o livro pra ela. E quanto ao filme que vai sair… eu vou assistir, pelo trailer parece que vai ser bom sim. Espero que ele supra algumas faltas do livro.

***

CORALINE, NEIL GAIMAN

Não me lembro onde foi o primeiro lugar que li sobre Coraline, me lembro apenas de estar procurando resenhas na internet. Achei muito interessante, parecia uma Alice no País das Maravilhas para adultos. O autor é o mesmo de Stardust – O Mistério da Estrela, que deu origem àquele filme maravilhoso filme ano passado. Então minhas expectativas eram grandes.

Mas no final das contas, acabei nem sequer abrindo o livro. Isso porque emprestei para o Luís antes. Ele leu, e me descreveu o livro inteiro como um plágio descarado de O Ladrão da Eternidade, de Clive Barker, que foi publicado em 1991 (uns 10 anos antes de Coraline), e recebeu uma versão em quadrinhos em 2005 (que, diga-se de passagem, é muito boa!). Agora estou na dúvida se leio ou não, mas acho que não vou perder meu tempo… pena que o dinheiro já era!

Agora, enquanto escrevia esse post, acabei de ficar sabendo que ambos, Coraline e O Ladrão da Eternidade, ganharão uma versão para as telonas ano que vem. Vamos ver quem faz uma adaptação melhor, certo? E eu estarei lá, nas duas sessões, para tirar minhas próprias conclusões.

Livros que eu Recomendo

26 out

Sempre fui uma criança que gostou de escrever. Mas confesso que sinto um pouco de vergonha ao dizer que o primeiro livro de verdade que li foi Harry Potter. Tudo bem, o primeiro anime que assisti foi Dragon Ball Z, e ninguém tem nada a ver com isso! E tem gente que até hoje, nem Harry Potter leu…

A partir de Harry Potter, comecei a ler outras coisas. E tudo que eu lia, gostava. Mas ultimamente eu tenho começado a ficar um pouco mais exigente com os livros que leio. Não que já tenha lido muitos, mas já li o suficiente pra dizer o que gosto e o que não gosto. E após ver que meu amigo Vini desistiu de postar sobre livros no blog dele, decidi postar eu mesma sobre esse assunto. Quem sabe ele não se anima e posta também?

Como é um tópico bem grande, vou dividí-lo em dois: os livros que eu recomendo, e os livros que eu não recomendo. Então vamos lá!

LIVROS QUE EU RECOMENDO

***

HARRY POTTER, J. K. ROWLING

Ah, onde tudo começou! Eu nunca tinha ouvido falar do tal do Harry Potter, quando minha mãe me obrigou a ler o primeiro livro da série. Foi amor à primeira vista. Depois tive que esperar, desesperada, até ela me dar os outros dois que já estavam traduzidos. E depois esperar séculos até os outros serem escritos. E agora esperar de ano em ano pelos filmes. Podem chamar essa leitura de boba, infantil, o que quiserem. Eu recomendo. E quem nunca leu, não precisa se desesperar por serem 7 livros. Vá com calma, leia o primeiro. Se gostar, continue.

Na minha opinião, do melhor para  o pior: Harry Potter e As relíquias da Morte (livro 7), Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (livro 3), Harry Potter e o Enigma do Príncipe (livro 6), Harry Potter e a Pedra Filosofal (livro 1), Harry Potter e o Cálice de Fogo (livro 4), Harry Potter e a Ordem da Fênix (livro 5), Harry Potter e a Câmara Secreta (livro 2).

Acho que não preciso nem dizer que os filmes são uma porcaria, certo? Principalmente o primeiro, que pelo visto tinha fortes restrições orçamentárias. Uma tristeza. Mas a partir do 3º filme, as coisas começaram a esquentar, e a qualidade subiu.  As expectativas são grandes para os últimos filmes, ainda mais depois da notícia de que o último livro dará origem a dois filmes, em vez de um. Uma forma muito boa de contar a história toda como ela deve ser contada… e de ganhar mais dinheiro, é óbvio.

***

DELTORA QUEST, EMILY RODDA

Certo dia, enquanto aguardava o próximo livro de Harry Potter, eu aguardava também meu avião São Paulo-Campo Grande. Foi então que me enfiei dentro de uma Laselva, e saí de lá com o primeiro livro de uma coleção curiosa. Não tão conhecido quanto Harry Potter, mas com certeza bastante divertido, Deltora Quest é uma coleção de 8 livros. Bem… a primeira coleção tem 8 livros. Depois disso tem uma com 3, outra com 4, e mais 2 pra encher lingüiça… Eu recomendo apenas a primeira coleção, e depois se quiser, você pode imaginar um “viveram felizes para sempre”, ou qualquer coisa que lhe convenha.

Até aí tudo bem… o problema pra mim foi quando eu descobri que estavam fazendo propaganda de Deltora Quest na Nickelodeon. Como futura publicitária, eu jamais deveria dizer isso, mas a verdade é que, do fundo do meu coração: Acho que um livro não precisa de propaganda na TV. Livro bom tem que se vender por si só. E ainda por cima inventaram de fazer um anime que conta a história do livro! O cabelo da Jasmine virou verde, e o do Lief, loiro! Credo! Simplesmente péssimo…  Mas esquecendo esses pormenores, o importante é que esses livros me proporcionaram algumas boas horas de diversão (sim, só algumas horas, pois cada livro não chega nem a 200 páginas), e eu recomendo!

***

O PLANO PERFEITO, SIDNEY SHELDON
O CÉU ESTÁ CAINDO, SIDNEY SHELDON
MANHÃ, TARDE E NOITE, SIDNEY SHELDON

Contrariando o que eu disse no início desse post, eu li O Plano Perfeito antes de Harry Potter, uns 7 anos atrás. Quem me emprestou esse livro foi meu amigo Vini… e eu nem sei se era dele! Mas me lembro que fiquei maravilhada com a história. Conspiração, investigação, vingança, e é claro, um assassinato cujo culpado só é revelado no final. Em outras palavras, Sidney Sheldon.

Óbvio que eu gostei do livro. Eu nunca tinha lido algo tão divertido antes. Fiquei pensando se pegaria emprestado As Areias do Tempo, do mesmo autor. Eu devia ter pego! No final das contas,  só fui ler Sidney Sheldon de novo este ano, com O céu está caindo, e Manhã, Tarde e Noite. Achei os dois bem fraquinhos, mas agora eu sei o porquê: já fui cativada por livros de fantasia. Mas dos livros que não são de fantasia, esses são bons. Tenho duas amigas que estão procurando ler mais, e me pediram livros emprestados. Para uma delas, emprestei Sidney Sheldon.

***

O DIA DO CURINGA, JOSTEIN GAARDER

Esse livro foi o Luís que me indicou. É do mesmo escritor de O Mundo de Sofia, apesar de eu nunca ter lido este último, e ter desistido depois que me contaram o final.

O Dia do Curinga é um livro muito bom, aposto como o autor cheirou alguma coisa antes de escrevê-lo. Adorei a forma como as cartas do baralho foram usadas pra se criar um calendário, pena que o Luís já tinha me contado esse e muitos outros spoilers, antes mesmo de eu começar a ler o livro.

O livro é narrado dessa forma: O menino lê um livrinho. No livrinho, um homem conta sua história. Na história do homem, outro homem conta sua história, e na história deste, um terceiro conta sua história. De forma que uma história está dentro da outra. O processo de entrada nessas histórias é longo, e misturado com o que se passa na vida do menino que lê o livro. E o processo de saída é fantástico. Não que seja algo impensável usar um capítulo para terminar a história de cada personagem, mas a forma como é feito ficou maravilhosa.

***

AS CRÔNICAS DE NÁRNIA, C. S. LEWIS

Ufa! Finalmente cheguei onde eu queria! Como decidi escrever mais ou menos na ordem em que li, As Crônicas de Nárnia acabaram ficando para o final, apesar de mercer destaque. Livro maravilhoso! Terminei de ler há algumas semanas, mas ainda me sinto dentro dele, é o tipo de história que eu gosto.

Esse é um caso curioso, já que eu primeiro assisti aos dois filmes que já foram lançados, e depois li o livro. Confesso que comecei a ler com um pouco de preconceito. Primeiro porque eu sempre achei, e continuo achando, que é muito melhor ler os livros primeiro, e assistir aos filmes depois. E segundo, porque eu já estava ciente das muitas referências bíblicas que encontraria no livro. E digamos que eu não seja uma pessoa muito voltada para o lado espiritual.

Mas o livro me surpreendeu. Vibrei enquanto lia, chorei quando acabou. Foi simplesmente fantástico. Agora estou aguardando ansiosamente pelo lançamento do próximo filme, ainda mais agora que descobri que estão seguindo a ordem de lançamento dos livros, e a próxima é minha crônica favorita, A Viagem do Peregrino da Alvorada.

Em relação aos livros, os filmes são fiéis à medida do possível, mas fogem um pouco afim de deixar a história mais dinâmica, criar mais conflitos secundários, e dar mais destaque ao clímax.

***

Bem, é isso. Da próxima vez falarei dos livros que eu recomendo… que ninguém leia! 😀
Até mais!