Conto: Angélica

8 dez

ANGÉLICA

(Karen I. Soares)

Parte 1

Ela passou por mim, e eu quis saber quem era. Quem era a responsável por aquele instante infinito, aquela palpitação inesperada. Era um andar de mulher com a leveza de uma criança. Devia ser esperta, decidida, pequena e leve. Seu ritmo expressava preocupação. Seu movimento gerou uma leve brisa, que trouxe um perfume fresco e energizante.

Passou por mim como um furacão, levando embora tudo o que eu pensava, sentia, sonhava. Ficou apenas a lembrança. Esperança, dúvida, ansiedade, silêncio. E eu apenas queria saber: Quem era?

– A Angélica? Ela não é lá aquelas coisas…

Apesar da resposta rude do meu colega, não desanimei. O que importava para ele certamente não importava para mim. Eu queria saber mais sobre a autora daqueles passos firmes e delicados. Élficos. Enigmáticos.

Angélica…

***

Parte 2

Passei a prestar atenção nela. Eu sempre sabia quando ela ia entrar na sala, muito antes dos demais. Podia ouvir seus passos no corredor. Mesmo que estivessem misturados aos passos de uma multidão, eu os reconhecia. Ela podia estar calma, alegre, nervosa ou apressada, não importava. Nem sua emoção conseguia disfarçar seus passos de mim.

Me aproximei aos poucos. No início tive que encarar o silêncio absoluto de quem se sente incomodado, mas com o tempo conquistei sua confiança.

E esperei o momento certo.

Esperei.

Esperei a hora perfeita.

A hora perfeita para colocá-la contra a parede, e dizer-lhe tudo o que eu queria, do jeito que eu queria e nas condições que eu queria. Não disse tudo o que eu sentia, certamente, pois iria assustá-la, mas disse tudo o que eu queria.

Então senti o ruborizar da pele quente de seu rosto. Apesar de não tocá-lo, eu podia sentir. Seu coração batia acelerado, e eu não precisava vê-la para saber para onde ela olhava. Olhava diretamente nos meus olhos, apesar de estar tímida. A reação que eu pedia.

Era uma mistura de medo, timidez e ansiedade em experimentar algo novo. E eu não hesitei. Fiz o que tinha de fazer. Toquei seus lábios com os meus, pela primeira vez.

***

Parte 3

O tempo passou, e ela permitiu que eu me aproximasse ainda mais. Após um lento início, ela abriu seu coração, e passou a depender de mim, e eu dela.

Ela não sabia, mas eu sabia me virar sozinho. Mas jamais diria isso a ela. Gostava que ela me ajudasse em tudo o que eu fazia. Sempre prestativa e proativa, orgulhava-se disso.

E o tempo passou.

E passou mais um pouco.

Nossas vidas seguiam um rumo único, e éramos felizes. Ela se tornou uma grande mulher, como tinha de ser. Eu fiz o que era possível para acompanhá-la em cada passo, e ela valorizava isso.

Até que cheguei ao ponto mais marcante de minha vida. Aquele que mudaria tudo. Aquele que me fez dividir minha vida em antes e depois. Havia muito tempo que eu não pensava nessa possibilidade, e quando ela bateu à minha porta, me senti ansioso e indefeso.

Mas ela estava lá, minha amada Angélica. Pronta para ser útil, pronta para me ajudar em tudo o que eu precisasse. Mais uma vez senti, com emoção, seus passos ao meu lado. Sempre contraditórios, eles se dividiam em decididos e vacilantes. Mas ela segurava minha mão, como se tentasse me passar toda a coragem de que dispunha, enquanto minha maca era guiada por mãos e passos mecânicos e sem emoção alguma.

Até que uma porta nos separou, e em seguida adormeci.

.

 

Sono sem sonhos. Foi como se eu tivesse apenas mudado o canal da TV. Após um segundo de silêncio, já havia me teleportado para um canal completamente diferente. Estava novamente na cama. Inconscientemente mexi os dedos, e foi suficiente para ouvir ao meu lado um pulo de alegria. Era ela. Eu não sabia há quanto tempo me esperava, mas não ousei perguntar.

Desenrolei a venda. E tive a experiência mais extraordinária de toda minha vida. Olhei em volta, para aquele ambiente claro. Olhei para ela. Angélica. Pessoa maravilhosa, companheira para todos os momentos. Agora eu sabia: Ela era também a mulher mais linda, maravilhosa, perfeita… que eu já tinha visto em toda a minha vida.

E com certeza eu jamais veria cena mais emocionante, mais bonita, do que aquela sua expressão que misturava alegria e preocupação, e seus olhos azuis fixos nos meus.

Nos abraçamos forte, e choramos lágrimas confusas. Lágrimas de alívio, alegria, emoção.

Mas sobretudo, lágrimas de amor.

*

Agora que você terminou de ler, me diga:
O que você entendeu deste meu conto?

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8 Respostas to “Conto: Angélica”

  1. Murillo dezembro 8, 2008 às 12:04 pm #

    Eles morrerammm???

    LoL N> Interpretação

  2. Murillo dezembro 8, 2008 às 12:55 pm #

    Ainnn q final maisi linddoo *-*

    Quando chegamos a monotonia, msm que com amor, como os dois tinham à época,não percebemos a importância da outra pessoa,somente quando passamos pelo sentimento de “quase perda” como ele passou,é que percebemos a verdadeira importâcia dessa pessoa em nossas vidas =]

    Falo assim pq eu já passei por isso,msm q distante,foi oq eu pude sentir =X

    Bom texto Biaaaaa….

    Gostei dessa Trilogia =D

    =**

  3. GabrieL dezembro 8, 2008 às 3:47 pm #

    Caraaaaaaaa!!! to pasmo atéh agora! o.O”

    mtoo mtoo mtoo bom esse texto…
    o modo como vc descreve o jeito q ele a sente…
    msm sem vê-la…
    os sentimentos q ele enxerga através dela…
    msm sem saber ao certo suas expressões!
    Perfeito!
    descrição maravilhosa… os sentimentos q vc passa através dele…
    éh incrivel…
    da pra sentir o q ele sente!
    Adoreiii… parabéns!

  4. Hiler dezembro 8, 2008 às 5:16 pm #

    Uuuuuuuuuuuuh
    Eu entendi o final diretoooooooo !!
    Gostei bia, ficou bem criativa!

    Continua escrevendooooooooo!

    =***

  5. Josaniel dezembro 8, 2008 às 10:48 pm #

    Nossa Bia.. oO
    Final mais lindo impossível! E vc outro dia achando q eu poderia me decepecionar(ou não) com o final da trama. Muito pelo contrário. Simplesmente AMEI esse conto desde, à época, o primeiro parágrafo da primeira parte até a última linha do derradeiro parágrafo da última parte.
    Mais uma vez parabéns pela criatividade e pela forma, no mínimo graciosa, na qual vc expressa as coisas, sentimentos e descrição das situações em seus textos!
    Bjs!

  6. Ivan - Copy dezembro 9, 2008 às 10:25 am #

    Você realmente conseguiu passar emoção. Gostei muito do começo, ali você escreveu como os grandes escritores. Com pequeninos ajustes no meio do enredo, o conto ficaria perfeito. Em resumo, seu texto ficou “Mara”…rsss…parabéns, linda…

  7. Pri Skywalker dezembro 14, 2008 às 2:54 pm #

    hehe… eu já tinha lido seu ocnto antes de vc pedir, Karen!
    ao contrário do que vc pensa eu sempre visito vc..u.u
    e..e…nha…eu curto… estava até comentando com o vini… que sua narração é descritiva mas não é chata, entendi?
    vc flui… sua narrativa é dinâmica, pelo menos para mim.., já me fez imaginar tudo do casal vinte aí do conto, mesmo sem diálogos… imagino como começou, como eles se dão, como conversam e pá pá.. e posso dizer que é legal… é legal poder ler seus textos… continue assim…^^
    ah… jah leu meu último post? sim….eu atualizei!!!VIVA!
    enfim… comenta sobre minha crônica oks?
    quero sua opinião!
    http://orasbolas.wordpress.com/2008/12/14/aprender-e-uma-multilacao/

  8. Brueh dezembro 22, 2008 às 4:50 pm #

    mto bommm amor!
    eu entendi logo de cara! hehehe! mto legal mesmo! nossa!!!
    Seu melhor conto até agora, parabéns 😉

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